Imagine uma situação em que seu parceiro vem até você e fala sobre algo que você fez no dia anterior que o aborreceu, aparentando estar bastante frustrado com isso. Mas você fica um pouco surpreso, porque não acha que houve algo errado com o que fez. Você sabe que não queria chatear seu parceiro e tem uma razão válida ter feito aquilo. Então, você explica tudo isso para ele.

No calor do momento, você está 100% convencido de que está apenas expondo os fatos da situação e compartilhando seu ponto de vista. E isso não é ser defensivo, certo? Ou é?

Como saber quando você está na defensiva

A verdade é que pode ser difícil reconhecer quando estamos na defensiva. O comportamento defensivo é tão comum em discussões que pode parecer apenas parte do desacordo entre duas pessoas.

“Ser defensivo é reagir com uma mentalidade super protetora a uma situação que talvez não a justifique”, diz a terapeuta matrimonial Linda Carroll.

Sempre que respondemos à preocupação de outra pessoa tentando nos defender de sermos culpados, estamos na defensiva. Isto é algo difícil de aceitar, mas é necessário tentar.

Se você se encontrar em uma discussão com seu parceiro tentando explicar por que você não fez nada de errado, por que você não é o errado da situação, ou por que ele não deveria estar tão chateado, você está provavelmente sendo defensivo.

4 exemplos de comportamento defensivo

Aqui estão alguns exemplos de respostas defensivas, de acordo com a terapeuta de casais Elizabeth Earnshaw:

  • Explicando demais: “Bem, eu teria lavado a louça, mas quando fui fazer isso não havia detergente, então fui ao mercado…”
  • Fazendo-se a vítima: “Você é sempre tão malvado comigo!”
  • Contra crítica: “Vou começar a lavar a louça quando você começar a cuidar melhor de …”
  • Usando a palavra “mas”: “Eu sei que os pratos estão sujos, mas você não pode simplesmente ignorar isso hoje?”

Mesmo que essas afirmações sejam verdadeiras, representam um desejo de se defender da responsabilidade, e é aí que está o problema. Se o seu objetivo é sair impune em uma conversa ou discussão com seu parceiro, você perdeu o ponto.

O problema de tentar se defender

É um instinto natural querer nos defender de ameaças, seja essa ameaça um tigre pulando sobre você ou sua esposa perguntando por que a roupa não foi lavada hoje.

Mas o problema é que, quando nos defendemos em uma conversa, normalmente é à custa de nosso parceiro sentir que nossas necessidades e emoções são importantes. Porém, ao fazer isso, priorizamos proteger nosso ego em vez de cuidar de nosso parceiro e nosso relacionamento.

“Há poucos cenários em que realmente precisamos defender nosso ponto de vista. Em vez disso, somos motivados a fazê-lo principalmente pelo desejo de estar certo”, diz Earnshaw. “Nesses momentos, somos mantidos nas garras do ego, que atua como uma barreira à comunicação e conexão autênticas.”

A defensividade pode ter consequências desastrosas para um relacionamento. De acordo com uma pesquisa do psicólogo John Gottman, a defensividade é um dos quatro hábitos de comunicação ligados a uma maior probabilidade de divórcio.

“Ficar preso explicando por que a perspectiva de uma pessoa está certa e a outra está errada é uma das dinâmicas de comunicação mais insalubres nas quais as pessoas podem entrar em relacionamentos”, explica Earnshaw.

O que fazer em vez disso

Em primeiro lugar, reformule sua mentalidade nessas conversas. Em vez de tentar sair da conversa estando certo ou parecendo uma boa pessoa, tenha como objetivo fazer com que seu parceiro se sinta validado e cuidado.

Essa mudança de mentalidade melhorará drasticamente os resultados da conversa, em parte porque deixará seu parceiro à vontade. Também muda a dinâmica da conversa de duas pessoas brigando para duas pessoas encontrando maneiras de se alinhar.

Comece expressando validação pelos sentimentos e perspectivas de seu parceiro, diz Earnshaw. Ela oferece exemplos de como isso pode soar:

  • “Isso faz muito sentido. Se eu pensasse assim, me sentiria como você.”
  • “Eu entendo porque você está com raiva.”
  • “Eu posso ouvir por que você pensa assim?”
  • “Isso faz sentido para mim.”

Seu segundo objetivo deve ser encontrar pelo menos uma parte da preocupação de seu parceiro pela qual você possa assumir a responsabilidade, não importa quão pequena ela seja. Carroll recomenda imaginar que qualquer crítica apontada a você tem 100 argumentos e, mesmo que 99 deles sejam falsos, há pelo menos um verdadeiro que você pode reconhecer e pedir desculpas.

Aqui estão alguns exemplos de como isso pode soar, de Earnshaw:

  • “Você está certo. Eu não lavei a louça.”
  • “Posso assumir a responsabilidade pela maneira como falei com você ontem à noite. Eu estava errado.”
  • “Eu esqueci de enviar a tarefa. Deveria ter feito isso na hora.”

Você sempre pode compartilhar seu próprio ponto de vista sobre a situação mais tarde, quando o clima entre vocês estiver mais tranquilo, e quando seu parceiro souber que você está ouvindo e entendendo o ponto de vista dele.

Por fim, lembre-se de que não há problema em ter chateado alguém. Todos nós involuntariamente irritamos ou magoamos nossos entes queridos de vez em quando. Se sentir culpado por isso só vai distrair o que é realmente importante na conversa, que é admitir o erro, cuidar da angústia de seu parceiro e descobrir como evitar fazer isso novamente no futuro.

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